segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hit the road, Jack...

Bem... faz um tempo que eu não posto por aqui não é?

Estive bastante ocupado no trabalho entre os trabalhos normais e os extras... Cada coisa que aparece.
O título é sugestivo, de fato. Esta música, popularizada na voz do grande Ray Charles (me fugiu a autoria desta música, mas tenho certeza que não é dele. Ah sim, após uma rápida pesquisa, vi que se trata de Percy Mayfield) inspira meu post de hoje para contar da grande sensação que é viajar. Viajar de viagem mesmo, mentes sujas. Mas talvez, a grande viagem seja aquela através das eras, através do tempo. A viagem que o herói que já coloquei aqui no Blog, o Time Hiker, tanto fez.

Como viajar no tempo? Se me permitem dizer o xiitas, toda vez que algum roteirista inventa de enfiar viagem no tempo em seus trabalhos, costuma dar muita... esse palavrão mesmo. Só pegar alguns exemplos:

- Heroes: Se perde quando começam as viagens do Hiro. Escapou do controle deles. Pra mim o erro foi focar na viagem no tempo, transformando ela no mainstream da série, uma quantidade de probabilidades e possibilidades quase infinitas de interpretações que da margem ao terror dos meus pesadelos. O RETCON.

- Lost: Previously on Lost, tivemos um equívoco semelhante. Não bastasse o fato de que a ilha em si já gerava confusões dignas de narradores da Sessão da Tarde, os roteiristas inventaram o tal do Flash Foward, algo como "visão do futuro"... uma tremenda tiração de sarro com a inteligência do telespectador, que ficava se perguntando "o que eu perdi" em muitos momentos. Lost had Lost himself. No final era tanta resposta que deveria ser dada que ninguem mais sabia as perguntas. Também te odeio, J. J. Abrams.

- Zero Hora (DC Comics): PELA MADRUGADA, nem vou comentar esse. Eu nem sei como que eu posso ter gostado dessa série quando eu li pela primeira vez, em 199X, acho que eu devia ser muito bobo mesmo. É uma loucura atrás da outra. A começar... Hal Jordan. Ele tá por tras de tudo nesse troço de manipulação temporal, na época que era o Parallax (e antes de virar um mala). Segundo que isso bagunçou o Universo DC de tal forma que nego não sabia mais quem era o Gavião Negro! Ficou tão confuso que a DC Comics teve que criar o tal do Hypertempo, para inserir coisas como o "Super Choque" (Static), que eram heróis de Terras alternativas. Com a glória de Deus eles viram os erros dessa saga e consertaram em Infinite Crisis (Crise Infinita), recriando a idéia de Multiverso.

Mas também não vou criticar tudo. Certos roteiros que envolvem o tempo são muito bons. Um exemplo muito bom é como Supernatural lida com a passagem de tempo e como isso se juntou na série depois da viagem do Dean para o futuro.

Do mesmo modo, os episódios da Liga da Justiça Sem Limites em que os heróis vão para o passado e depois para o futuro e encontram uma nova Liga, são geniais, principalmente porque isto leva à verdadeira Origem de Terry McGinnis, o Batman do futuro, aproveitada de forma interessante nos quadrinhos (sim, ele já apareceu, tanto quando era criança, como já com a roupa do Beyond).

Atualmente, a continuidade do Universo DC é extremamente completa e concisa, mas ainda possui seus erros. No entanto, já sabemos que muita coisa que ficou perdida para tras está sendo recuperada, pois o passado também é rico e também deve ser explorado.

Percebem o que eu quero dizer? Quando você torna a viagem no tempo algo fundamental em seu universo, você deve tomar cuidado. Os erros mais comuns são tornar o Tempo como o ordenador de seu universo, ao inves de um tema recorrente. O tema recorrente é mais fácil de lidar do que uma Timeline complexa cheia de informações.

Se J.J.Abrams fosse esperto, ele dividiria seu universo em vários, para compor depois como uma Timeline só. Seria muito mais simples cuidar de uma Timeline que fosse recorrente do que uma permanente.

"Mas Jayme, você adora usar o Tempo quando mestra RPG ou quando cria universos"

Exato, e não é a toa que eu me perco algumas vezes nisso. Por isto acabei criando o Time Hiker, um herói para cuidar do tempo. As noções de tempo e de espaço em um universo demandam (obviamente e ironicamente) TEMPO para serem feitas. Eu entendo que um personagem desse tipo funcionaria como um cliché de "descobridor", "cientista" e "empirista", o que me daria respostas sobre como eu deveria ordenar meu (multi)universo nessa forma. A resposta soa interessante e ao mesmo tempo complicada, mas é uma forma. Já errei muito em narrações (sem que os meus jogadores percebessem na maioria delas) por conta de linearidade temporal, então é uma tentativa válida.

Como faço na maioria dos posts que discuto a criação de um Universo, eu deixo uma dica no final.
A de hoje é: "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Mexer com a temporalidade é divertido, mas ao mesmo tempo envolve uma série de questões que precisam ser respondidas. Lembrem-se que o tempo é relativo, de acordo com a nossa física quântica. Então não sabemos ao certo como ele se ordena.

Devo apenas me lembrar de não colocar eu e meus jogadores para interagir com seus personagens... é... esquisito.

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